Mauro

Eu não consigo entender certas coisas em mim.
É como se eu estivesse apaixonada, mas sem reciprocidade. Como se não existisse a outra pessoa. Intocável. Imaginário. De outro mundo.
Me pego sonhando, me pego desejando. Sentindo coisas que não existem, mas que moram em mim, que eu sinto como se fosse verdadeiro. Sinto no meu coração, sinto bater cada vez mais forte esse sentimento.
As vezes acho que é fanatismo, as vezes acho que é amor de verdade.

Na verdade… creio que seja loucura minha, talvez carência, talvez conforto… Talvez seja amor de verdade.
Sou tão frágil e descontrolada, tão sozinha que só um amor platônico pode resolver tudo isso. Aquelas metas de vida que a gente precisa bater, como lista de “sei lá quantas coisas pra fazer antes de morrer”. É uma idealização pra vida.
Já sinto o momento… Os olhos nos olhos, o primeiro toque, a observação nos detalhes no rosto. Sinto como se eu soubesse, como se desse para planejar, como se fosse algo totalmente previsível. Mas não sei se existe.
É uma locomotiva de emoções, incluindo a tristeza de que nunca aconteça ou a ansiedade estragar tudo. É uma coisa inexplicável, coisas que não se tem palavras pra descrever, não tem como explicar sem parecer completamente idiota.

Sirène

Fraca

Não estou sendo irônica, ele está certo… Está certo em querer distância e não querer me ver nunca mais.

Sentir o cheiro, o toque, o beijo. Sentir na ponta dos dedos cada detalhe. Ele está certo, pois sempre acaba em cilada.

Uma cama a qual sempre foi repleta de amor não poderia servir pra outra coisa além de amor. Vem de dentro do coração, é sincero. Descompassa. Desestabiliza. O coração bate quase que fora de você. É isso que acontece. No momento não tem consequências, não tem mágoas nem tristeza. É como se o mundo parasse e tudo fosse em prol daquele momento, daquela junção de lábios. Daquele cheiro no pescoço. Daquele carinho na mão, na coxa, nas costas, nos ombros, no rosto, cabelo, dedos, cintura… Corpo.

Corpos juntos que parecem ser um, se encaixam perfeitamente. Harmonia e sintonia. Chega a arrepiar por dentro, arrepia ainda mais por fora.

É como um sonho que parece ser muito real, aqueles que te causam espasmos, que você acorda suado ou assustado, pois parece muito real.

E então você acorda…

Lembra que é, e quem tem a sina de ser, sozinha, vazia, insuficiente e incompleta. Não tem chão, não tem força. Você foi e sempre vai ser fraca…

Eu fui errada. Fui infantil. Fui traidora. Principalmente, fui fraca…

Sirène

Tô bem… Eu acho…

Curiosamente, quase um ano depois, eu posso dizer que eu tô bem.

Ainda não estou 100% e nem sei se um dia estarei, mas esse pouquinho que eu estou bem mudou quase tudo.

É aquela coisa de dias animados, conhecer novas pessoas, novos lugares, finalmente sair da rotina.

Músicas novas, sensações, o coração que bate acelerado de novo. Ansiedade, finalmente!

Queria começar o meu ano bem e talvez dê certo, até porque eu não estava confiante de que o ano que vem teria chance de ser bom, mas talvez tenha.

É engraçado como o pessimismo me tomou conta e eu não sei se devo acreditar que eu realmente tô bem, talvez eu não esteja, me parece muito sincero esse sentimento. Que ele não seja fogo de palha. Que em 2017 eu continue bem com tudo e que mais coisas deem certo — principalmente minha ida pra SP, hein Fernanda! —, que mais filmes bons sejam lançados e que eu coma mais pipoca ainda.
Sirène

Pós morte (prévia)

Não sei se há coragem pras minhas vontades…

Estou tão exausta da vida e, principalmente, das pessoas com as quais nasci e cresci.

Não sei se há amor de verdade com exceção do famoso “amor de mãe”.

Não acredito em vida pós morte, talvez seja como dormir mas sem sonhar… Se tiver como eu volto e conto…
Sirène

Dois anos de dia 21

​Hoje nós iríamos dormir juntos, independentemente de ser uma segunda-feira.
Queria dizer que na verdade fazem pouco mais de dois anos que cada dia que passa eu amo mais você, mas não você e sim o que você foi (ou ainda é, estou confusa) pra mim, aquele porto seguro, um ombro amigo. 

Me sentia melhor — e arrepiada — a cada beijinho na nuca, seu abraço me protegia das minhas tristezas, seu beijo matava todas minhas preocupações. Meu mundo era mais colorido com você por perto, eu era mais elétrica, mais criativa, mais bonita, mais tudo. Esse sentimento de auto estima, que não volta nunca mais, as vezes me destrói.

Apesar de tudo, eu mudei, talvez tenha crescido mais, definitivamente aprendido a lição. Quando vejo o reflexo do que fomos em mim fico orgulhosa, pois me sinto mais madura e de certa forma você me ajudou. 
Obrigada pelos dois anos de amor correspondido mas não necessariamente juntos. Eu ainda amo nós dois.
Sirène

Fogo na mão 

​Engraçado como tudo acontece muito por acaso na nossa vida social.
Por meados de 2010/2011 nos conhecemos, porém não era nada demais, nem amigas éramos, praticamente só nos conhecíamos. Lembro até hoje da primeira vez que saímos juntas com algumas amigas e você decidiu tomar conta da cama inteira fazendo com que eu dormisse no chão (te odeio).

O tempo passou e mais ou menos em 2014/2015 nos reencontramos e, por frustrações amorosas — minhas, suas, nossas —, nós começamos uma amizade que, eu sinceramente, não achava que iria tão longe quanto foi. Que hoje a gente vivi fases diferentes mas na mesma sintonia. 

Agora, antes tarde do que nunca, de um jeito não lésbico — que fique claro pra todo mundo porque sabemos disso —, eu te vejo em muitos dos meus planos num futuro próximo e distante também. Acredito que nunca vamos nos arrepender de uma tatuagem tão estúpida quanto a nossa futura. Acredito que vamos dar uns amassos em vários youtubers. E, mais que tudo, acredito que vai ser pra sempre assim, que o nosso jeito idiota prevaleça, cantando “É Fada” no meio do shopping, indo pra roles aleatórios e dando sorte na cagada, tendo nosso próprio dicionário, ajudando uma a outra, xingando quando for preciso e rindo acima de tudo das coisas mais idiotas do mundo (não vou dar exemplos porque senão o texto não acaba).

Obrigada, sua fadona, por estar na minha vida de um jeito tão inesperado e idiota. Te amo, mas não se acostuma com essa fofura.
P.S: quero comer fofura com você ainda essa semana obg d nada!


Sirène